Factores determinantes

 

 

Morfofisiológicos

Na infância, a treinabilidade de rapazes e de raparigas evidencia muito poucas diferenças. Á medida que a idade avança, a capacidade de treino dos rapazes cresce rapidamente e atinge o seu máximo por volta dos 20 a 30 anos, para logo em seguida descer rapidamente. Nas raparigas as modificações de treinabilidade são relativamente fracas ao longo da vida. A fase de aperfeiçoamento mais marcante da capacidade de treino da força muscular situa-se perto da puberdade.

O período dos 12-14 anos apresenta uma particularidade na medida em que, é o momento em que a proporção de fibras intermédias eleva-se até cerca de 14 por cento nos rapazes e 10 por cento nas raparigas. Um treino adequado pode transformá-las em fibras ST ou FT.

Esta oportunidade ser tida em conta num treino de força-velocidade pois que pelo seguimento a transformação de fibras ST ou FT não é mais possível.

 

 

Os movimentos pressupõem investimentos de força explosiva caracterizados por um curto tempo de arranque, um ritmo máximo e a impossibilidade de rectificação em execução.

Trata-se tas contracções mais rápidas possíveis, programadas por adiantamento.

O grau de expressão da força no inicio do processo de contracção está em estreita correlação com a percentagem de fibras FT, contrariamente ao que se produz no desenvolvimento da força máxima, onde intervêm igualmente quer as fibras FT quer as ST.

Entre as Fibras de Contracção existem:

 

Fibras de Contracção Lenta: as fibras CL possuem características contrateis de carácter lento, ou seja, encurtam-se mais lentamente. As fibras CL contraem-se a cerca de 90-140 milissegundos. Metabolicamente, são dotadas de muitas mitocôndrias (organelas responsáveis pelo metabolismo aeróbio), enzimas aeróbias e capilares sanguíneos (micro-vasos sanguíneos que facilitam a perfusão de oxigénio pelos músculos). Por isto, são dotadas de uma alta capacidade para oxidar (queimar) gorduras, carbo-hidratos e até mesmo ácido láctico.

 

Fibras de Contracção Rápida: as fibras CR podem ser subdivididas em dois subtipos: fibras CR tipo A (IIA) e fibras CR tipo B (IIB). Fibras IIA possuem características contrácteis rápidas, ou seja, contraem-se rapidamente (40-90 milissegundos) mas são dotadas de características metabólicas semelhantes às fibras CL. Possuem uma capacidade oxidativa razoável, inferior à CL mas que pode aumentar consideravelmente. No entanto, o seu verdadeiro potencial está no metabolismo anaeróbio de média duração (1-3 minutos). As fibras IIA são capazes de gerar energia independentemente da presença de oxigénio, produzindo como subproduto do seu trabalho o ácido láctico. Fibras IIB são chamadas de verdadeiras fibras de contracção rápida pois a sua velocidade de contracção é rápida (40-90 milissegundos) e as suas propriedades metabólicas possuem um baixo carácter oxidativo e um alto potencial para o fornecimento de energia de curta (1-50 segundos) e média (1-3 minutos) duração.

 

 

Um treino com predominância da força não só conduz a uma hipertrofia do músculo como também a um aumento de reservas em glicogénio e em compostos fosfatos ricos em energia. Depois de um treino de força, constatamos um aumento de fosfocreatina de 10 a 75 por cento.

 

 

Numerosas experiências em animais e estudos em pessoas que praticam musculação ou halterofilismo, permitem demonstrar, que o aumento da secção muscular no seguimento de um treino adequado da força não pode explicar-se exclusivamente pela hipertrofia muscular.

As biopsias musculares permitem demonstrar que os indivíduos praticantes de musculação e tendo atingido um alto grau de hipertrofia, não tinham necessariamente fibras musculares de secção mais importantes que as das outras pessoas normais.

Uma contagem das fibras do M. peronaeus breves em dissecação, permitiu igualmente constatar que o lado que tinha aguentado a carga mais potente apresentava um número de fibras musculares superior ao do lado menos solicitato.

É então importante constatar que um treino intensivo da força não produz só um aumento da secção muscular as observa-se paralelamente um desenvolvimento ou hipertrofia dos elementos conjuntivos respeitantes ao tecido, que por sua vez asseguram mecanicamente cada uma das fibras musculares e o conjunto do músculo.

 

 

Coordenativos

Já demonstrado pela prática desportiva, desde o inicio de um treino de força, observamos nos mínimos prazos um aumento da força.

Dado que o aumento da massa muscular não pode intervir num tão curto espaço de tempo, este aumento da força não pode explicar-se a não ser pelo aperfeiçoamento da performance de coordenação. É exclusivamente no seguimento de um treino adequado que a força aumenta por causa do aumento do volume de fibra muscular, e, por consequência, da secção do músculo no seu conjunto.

 Para uma massa muscular ou uma secção muscular iguais, o desportista que tiver melhores faculdades de coordenação executa as mais importantes performances de força.

 

A optimização da faculdade de coordenação intramuscular explica-se pela possibilidade de contrair voluntariamente e ao mesmo tempo um maior número de fibras musculares.

O aumento progressivo da forma implica a activação de um número crescente de unidades motrizes de fibra IIB cada vez mais fortes.

O aumento da força na exacta medida do treino, produz um aumento paralelo da actividade EMG, uma prova de que aumentaram o número de unidades motrizes activadas e ou a frequência da sua enervação.

Um treino específico da força – velocidade pode treinar tão bem uma modificação das curvas de força – velocidade como o EMG, com deslocação e elevação mais rápida.

 

O aperfeiçoamento da coordenação intermuscular explica-se por uma melhor interacção dos grupos musculares participantes na execução do movimento desportivo.

O aperfeiçoamento da coordenação intermuscular permite aos músculos trabalhar mais eficaz e economicamente. Um desportista bem treinado não utiliza unicamente os músculos especificamente respeitantes a uma modalidade desportiva, mas sim em função da carga de treino.

 

 

Motivacionais

A capacidade de performance humana pode subdividir-se em vários sectores cuja mobilização requer uma participação voluntária diferente.

A categoria dos desempenhos automatizados e disponibilidades fisiológicas para a performance necessitam de acções da vontade fracas ou médias. A mobilização das reservas de intervenção ordinária necessita de uma vontade notória e vai a par com um estado de fadiga relativamente marcado. Por fim, as reservas autónomas não podem ser atingidas a não ser por um desinibição emocional, hipnose ou droga (dopping).

O limiar da mobilização explica-se pelo facto de que um maior número de unidades motrizes são postas em actividade num indivíduo treinado.

Compreende-se então porque motivo, sob hipnose, o indivíduo sem treino ainda pode aumentar a sua força enquanto o desportista com treino só pode fazê-lo até um máximo de 10 por cento pois já esgotou os seus limites de força num limiar de mobilização nitidamente mais elevado, usurpando sobre o sector autónomo mais protegido.

 

 

 

Aquecimento

 

Para quê?

Prevenção de lesões;

Prontidão para o desempenho físico (fisiológico/mental).

 

Através do quê?

Aumento da temperatura corporal;

Aumento da temperatura da musculatura;

Preparação do sistema cardiovascular e pulmonar para o desempenho da actividade física.

O que ocorre no corpo?

Melhoria nas actividades das enzimas;

O metabolismo durante uma actividade física pode subir 20 vezes durante uma corrida de longa duração (ex: maratona) e até 200 vezes durante uma corrida de velocidade (ex: 100 metros rasos). Aumento 13% para cada grau de temperatura.

Melhorar a vascularização periférica (vasodilatação x vasoconstrição);

Aporte de oxigénio, glicogênio sanguíneo e remoção dos metabólitos (ac. Láctico, CO2, etc.).

Aumento da velocidade de condução dos impulsos nervosos;

Um aumento de temperatura em 2° (dois graus) corresponde a um aumento de 20% da velocidade de contracção.

Melhor descontração diferencial.

Diminuição da ocorrência de lesões dos músculos antagonistas (mecanismo de contracção/descontração)

Acção positiva sobre os proprioceptores.

 

 

Resultantes de diferenças individuais

Durante a infância, até cerca dos 12 anos, a força muscular dos rapazes e das raparigas é praticamente igual. Com a idade a força muscular aumenta rapidamente nos rapazes para, como já havíamos dito, atingir o seu máximo por volta dos 20 a 30 anos, enquanto nas raparigas o crescimento é ténue. Por conseguinte, a força decresce imperceptivelmente.

A cause de diferença de força muscular entre homem e mulher é a taxa mais elevada da hormona sexual masculina (testosterona), a qual tem um alto poder anabólico (para a produção de proteínas). A secção transversal do músculo da mulher é em média 75 por cento da do homem. Mesmo quando a secção transversal é igual á do homem, a força muscular da mulher é menor por causa da diferença produzida pelo sistema hormonal que implica uma divisão diferente da proporção dos tecidos: a percentagem de tecidos adiposos é de praticamente o dobro na mulher.

Na mulher adulta, a força muscular é aproximadamente de dois terços da do homem. Todavia, isso apenas se aplica á musculatura das extremidades do esqueleto, pois nos músculos do tronco, não se nota diferenças específicas relacionadas com o sexo.

 


Formas de manifestação.  ―  Formas de desenvolvimento de Força.