Formas de desenvolvimento de Força.

 

Factores Nervosos

 

Factores Nervosos Centrais:

1.                   Recrutamento das unidades motoras

Princípio de Henneman (1965) – As UM é recrutado por ordem crescente da sua capacidade de produção de força.

As UM de menores dimensões e de limiar de excitação mais baixo são recrutadas em primeiro lugar.

A contracção da fibra muscular obedece à lei “de tudo ou nada”.

Este princípio aplica-se às UM individualmente não se aplicando ao músculo como um todo.

 

2.                   Frequência de activação das unidades motoras

 

A taxa de produção de força pode ser aumentada não só pelo nº de UM, mas através da frequência com que cada UM é activado.

 

3.                   Sincronização das unidades motoras

Pode ser definida como a consciência temporal na activação de duas ou mais UM. Processo de somação temporal.

Quanto maior for a capacidade de estimular simultaneamente UM, maior será a força produzida pelo músculo.

Sujeitos sedentários não sincronizam mais do que 25 a 30% das UM potenciais para uma determinada acção, indivíduos treinados atingem 80 a 90% (Platonov1991).

 

 

Factores Nervosos Periféricos:

Estes factores estão associados à enervação sensitiva do músculo.

 

- Fuso neuromuscular – informam do alongamento muscular e exercem acção de estimulação dos motoneuróneos.

- Órgãos tendinosos de Golgi – informação sobre a intensidade da contracção.

- Receptores articulares – informam da posição relativa da articulação (carácter preventivo de possíveis lesões).

 

 

Factores Musculares

 

Fisiológicos:

Influência da área da secção transversal anatómica do músculo (a unidade de força do musculo é de 30 a 60 N/cm2).

 

Bioquímicos:

Influência da composição muscular (tipo de fibras musculares).

 

Tipos de Fibras Musculares

 

 

 

Fibra tipo I

Fibra tipo II a

Fibra tipo II b

% Músculo

 

50

34

16

Velocidade de Contracção

Lenta

Rápida

Rápida

Resistência à fadiga

Grande

Pequena

Pequena

Motoneurónios

 

Pequenos

Grandes

Grandes

Limiar do exercício

Baixo

Alto

Alto

Tensão

 

Baixa

Média

Elevada

Capacidade aeróbia

Elevada

Média

Baixa

Enzimas oxidativas

Muitas

Nº médio

Poucas

Capacidade anaeróbia

Baixa

Média

Elevada

Produção de ácido láctico

Baixa

Média

Elevada

 

 

Modificação da percentagem relativa do tipo de fibras no músculo:

 

As fibras musculares designadas por lentas não se transformam em rápidas por acção do treino;

As fibras rápidas podem alterar-se e aproximarem-se das características das lentas por acção do treino, particularmente através de actividades que requerem um nível baixo e constante de activação;

O treino de força pode organizar-se de forma a conduzir a uma hipertrofia selectiva das fibras lentas ou rápidas, alterando assim a percentagem relativa da sua área de secção transversal.

 

Factores Biomecânicos

 

A influência da alavanca muscular;

 

    

 

As inserções musculares mais afastadas do eixo articular estão mais vocacionadas para exercícios de cargas elevadas.

 

 

Os músculos que possuem inserções musculares mais próximas estão mais vocacionados para exercícios que requerem maior velocidade.

 

Quando modificamos o ângulo articular também modificamos o valor da resistência a vencer. Quanto maior a distância do eixo articular à resistência maior o valor da força a desenvolver para se opor à resistência

 

O momento de força = peso x distância

 

Além dos principais factores referidos anteriormente, existem ainda outros que podem influenciar a capacidade de produção de força:

 

Idade; a força evolui com a idade, na adolescência é o momento em que existe o maior ganho de força; salto pubertário como fase sensível do seu desenvolvimento.

Sexo; a força é diferente nos homens e nas mulheres, sendo maior nos homens devido à sua maior massa muscular.

Temperatura; antes da realização de um exercício, se existir um aquecimento e consequentemente um elevar da temperatura corporal e muscular, o atleta tem capacidade de realizar mais força, pois os músculos encontram-se mais irrigados sanguinariamente.

Motivação; os estados motivacionais também influenciam a capacidade de produção de força, quanto mais motivado e orientado para o sucesso o atleta estiver melhores serão os resultados desportivos.

Alimentação; a alimentação deve ir de encontro aos gastos energético feitos pelo atleta, deve ser uma alimentação cuidada e pensada nos objectivos específicos do atleta. Uma alimentação pouco cuidada pode, muitas, por em risco a performance do atleta, reduzindo a sua capacidade de gerar força.

Desenvolvimento ontogenético do atleta; a força depende ainda do desenvolvimento físico que o atleta apresenta.

Relação força – peso corporal; a força está normalmente relacionada com o peso corporal do indivíduo, pois este tem que transportar o seu peso corporal diariamente.

Movimentos de rotação da articulação; determinam uma boa eficácia mecânica, logo são importantes para aproveitar a força existente no âmbito de a usar do modo mais eficiente possível.

Trabalho realizado previamente; o treino realizado e as adaptações do organismo a esse trabalho influenciam o modo como o corpo poderá reagir a futuros exercícios de força.

Ritmo diário; os ritmos diários condicionam de um modo especial os processos vitais de todos os seres humanos, logo também influenciam a força.

Radiações ultravioletas; estas radiações parecem também influenciar a força, na medida em que têm uma elevada energia e provocam múltiplas reacções moleculares, contribuindo para uma aceleração do crescimento e produção de força.

Uso de anabolizantes; o uso de anabolizantes aumenta a capacidade de produção de força muscular, provocando hipertrofia muscular.

 


Factores determinantes.  ―  Formas de avaliação da Força.